Ténis · Regras explicadas

Do 15 ao tie-break: como se conta um jogo de ténis

Por Carla Nogueira
Court de ténis exterior com rede e linhas marcadas
Court exterior com rede e linhas marcadas. Fotografia de domínio público (CC0).

Lisboa — a contagem do ténis parece arbitrária à primeira vista e deixa de o parecer assim que se percebe o princípio: ela não soma pontos, mede vantagens sucessivas. Ganhar mais pontos do que o adversário ao longo de um encontro não garante a vitória — o que conta é onde esses pontos foram conquistados.

O jogo: 15, 30, 40 e a vantagem

Dentro de cada jogo, a contagem avança de 15 para 30 e de 30 para 40. O quarto ponto fecha o jogo, desde que exista distância de dois pontos para o adversário. Com 40 iguais entra-se em igualdade, e a partir daí é preciso conquistar dois pontos consecutivos: o primeiro dá vantagem, o segundo fecha o jogo. Se o adversário conquistar o ponto seguinte, regressa-se à igualdade — e o processo pode repetir-se indefinidamente.

Quem serve tem uma vantagem estrutural, e é dela que nasce todo o vocabulário do ténis. Conservar o serviço é o resultado esperado; o desvio a esse resultado tem nome próprio.

O set e a diferença de dois

Um set pertence a quem conquistar seis jogos com dois de diferença. Com cinco jogos iguais, o set pode terminar em sete a cinco. Com seis iguais, entra em ação o desempate. O princípio de fundo repete-se em todas as escalas da modalidade: nunca se vence por um fio, é sempre preciso separar-se por dois.

Um jogo conquistado por quem devolve o serviço chama-se break, e é a peça que desequilibra o set inteiro. É por isso que os relatos falam tanto em jogos de devolução e tão pouco em número total de pontos: um encontro pode terminar com o vencedor a somar menos pontos do que o derrotado, desde que os tenha conquistado nos jogos certos.

O tie-break

Com seis jogos iguais, o set decide-se num jogo de desempate com contagem corrida — um, dois, três — até sete pontos, também com dois de diferença. O primeiro ponto é servido por um jogador, e a partir daí o serviço troca de dois em dois pontos; os jogadores mudam de lado a cada seis pontos. Se chegarem a seis iguais, o desempate prolonga-se até que alguém abra dois pontos de distância.

Alguns torneios aplicam ainda um desempate no set decisivo, disputado até dez pontos em vez de sete. É a variante que mais confusão gera em quem acompanha com pouca frequência, porque muda de prova para prova.

Bola de ténis pousada sobre uma superfície escura
Bola de ténis pousada sobre superfície escura. Fotografia de domínio público (CC0).

Como se somam os pontos de classificação

A classificação mundial funciona com outra lógica, e convém não a confundir com a contagem do encontro. Cada torneio atribui pontos consoante a fase alcançada e a categoria da prova; esses pontos permanecem válidos durante cinquenta e duas semanas e caem quando a edição seguinte do mesmo torneio se realiza. É por isso que um jogador pode descer na tabela sem ter perdido um único encontro nessa semana: perdeu os pontos que tinha conquistado um ano antes.

Esta característica explica também a expressão pontos a defender, que aparece em todos os relatos de final de época. Não é uma metáfora: quem venceu uma prova no ano anterior chega à edição seguinte com esse total prestes a expirar, e precisa de repetir o percurso apenas para se manter no mesmo lugar.

Variantes que encontrará

Nem todas as provas contam da mesma forma. Há encontros ao melhor de três sets e outros ao melhor de cinco; há torneios com igualdade decidida num único ponto e outros com a igualdade tradicional; há provas com desempate no último set e provas em que ele não existe. Antes de discutir uma decisão, vale sempre a pena confirmar o regulamento da competição — a contagem do ténis é uniforme no essencial e variável nos detalhes.

Carla Nogueira

Cobre ténis, contagem e formatos de prova. Interessa-se por sistemas de classificação.

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